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09/02/2021

Parque em Rede Pedra de Xangô

“A aprovação do Parque em Rede Pedra de Xangô é uma conquista do Povo de Terreiro, do Movimento Negro e Ambientalista desta cidade. A luta não terminou. Outros embates serão travados. O que importa é que o povo construiu em Salvador um marco legal – a primeira APA Municipal e o primeiro parque em rede […] ‘Redes técnicas, rede urbana, redes de movimentos sociais … Redes disso, redes daquilo …”. “Sem os nós, nem sequer haveria rede”. (SOUZA, 2013, p.166) Da mesma forma, sem nossa participação, não seria aprovado no PDDU o Parque em Rede Pedra de Xangô, a APA Municipal Vale do Assis Valente. Com esse espírito de luta e resistência, as redes dos lugares sagrados no entorno da Pedra de Xangô foram sendo tecidas e cartografadas (ver mapa 3) e nelas vários atores entraram em cena: Tata Muta Imê do terreiro Mutalombo Yê Kaiongo (Cajazeiras XI) ao georreferenciar os lugares sagrados no entorno da Pedra de Xangô; Mãe Lanquiana da Mansão Dandalungua Concuazenza (Estrada Velha do Aeroporto) na desenvoltura do jogo do seu corpo, na dança para reverenciar os orixás e demonstrar o seu amor por Xangô e pela pedra; Everaldo Duarte, Agbagigan do Terreiro do Bogum – (Engenho Velho da Federação) em poesias e contos a relatar a importância da Pedra de Xangô; Sátiro – Ojé do Terreiro Omo Ilê Aboulá (Itaparica), ao percorrer as matas e identificar as folhas sagradas no entorno da pedra; Makota Valdina do Terreiro Tanuri Junsara (Engenho Velho da Federação), ao conclamar o tombamento de todos espaços verdes na cidade e reverenciar a Pedra de Xangô.; Mãe Iara de Oxum do Ilê Axé Tomim Kiosise Ayô (Cajazeiras XI) ao caminhar e convocar outros adeptos a fortalecer a luta; Mãe Branca de Xangô, terreiro Ilê Axé Obá Baba Sére (Cajazeiras XI), com rezas e adurás para pedir licença e reverenciar o Re; Mãe de Alá do Terreiro Ilê Axé Babá Ulufan Ala (Cajazeiras X) e Pai Gildásio de Oxóssi (Cajazeiras XI) a pedir que todos continuem firmes; Pai Gilmar Silva do Ilê Axé Oxalufã (Fazenda Grande II), ao colher folhas sagradas para a Festa de Xangô; Pai Jefferson Cardoso, do Terreiro Ilê Axé Odé Toke Ji Lodem, (Avenida Assis Valente) e Pai Deilton Gomes, do terreiro Ilê Axé Tumbi Odé Oji, (Fazenda Grande II) colhem folhas sagradas e realizam as Festas da Fogueira de Xangô; Mãe Beata do Terreiro Ilê Alakey Koisan (Boca do Rio), em obediência aos orixás, faz rituais e oferece abará e acarajé aos participantes no entorno da Pedra de Xangô; Leonel Monteiro Presidente da AFA (Brotas) denuncia o descaso e omissão dos órgãos públicos para com amorada dos tupinambás, dos orixás, voduns, inquices e caboclos; Nadinho do Congo – Diretor do Afoxé Filhos de Congo (Boca da Mata), ao participar do ato de desagravo da Pedra de Xangô, e tantos outros não mencionados, mas que também fazem parte dessa história. A implementação do Parque em Rede Pedra de Xangô, a sua retirada dos mapas e da letra fria da Lei Municipal, assim como, sua posterior conservação e manutenção, dependerão da continuidade da mobilização, da disputa de narrativas, da tutela do protagonismo pelo povo-de-santo. Luta, resistência e esperança são as leis do povo de axé.” Trecho do livro “Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador”. 2019:111,112) – Autora: Maria Alice Pereira da Silva